O fonoaudiólogo e os pais: uma parceria para o desenvolvimento da comunicação de crianças do espectro do autismo
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2022-09-19
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Resumen
A linguagem representa um aspecto fundamental para a vida em sociedade.
No entanto, o desenvolvimento sociocomunicativo está atrelado à forma como os pais
percebem seus filhos, às atribuições de significados sobre as manifestações da criança e
ao lugar em que essa criança ocupa no núcleo familiar. Em indivíduos com transtornos
do desenvolvimento esses aspectos são igualmente preponderantes. As crianças com
Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) têm dificuldades em entender e usar a
linguagem, especialmente em situações sociais. Assim, devido à complexidade do
desenvolvimento comunicativo, é essencial incluir e dar suporte comunicativo aos pais
e/ ou cuidadores de crianças com TEA, ampliando as condições e possibilidades
psicossociais. Objetivo: verificar os benefícios de um Programa de Orientações sobre
Comunicação para Cuidadores (POCC) de crianças com TEA analisando seus efeitos na
percepção dos cuidadores quanto ao perfil funcional da comunicação destas crianças e
quanto à percepção das dificuldades comunicativas. Método: Participaram desta
pesquisa cuidadores de 62 crianças com diagnóstico de TEA, divididos em três grupos
de intervenções. Todas as intervenções envolviam um programa de cinco sessões de
orientações mensais pré-estabelecidas, visando fornecer informações sobre o
desenvolvimento da comunicação e incentivar atividades práticas de comunicação no
cotidiano. No primeiro grupo, os cuidadores receberam o programa de orientações em
grupo e as crianças tratamento fonoaudiológico individual. No segundo, os cuidadores
receberam o mesmo programa de orientações, mas de forma individual, e seus filhos
terapia individual. O terceiro grupo, composto por cuidadores de crianças que
aguardavam atendimento fonoaudiológico em lista de espera, recebeu as orientações em
grupo. Em todos os grupos foram investigadas as percepções dos cuidadores quanto a
competência funcional de comunicação das crianças conforme o Perfil Funcional da
Comunicação-Checklist (PFC-C). Além disso buscou-se compreender a percepção de
dificuldades comunicativas dos mesmos quanto ao Questionário sobre Dificuldades
Comunicativas (QDC) percebidas por pais e/ou cuidadores de crianças com TEA. Os
questionários foram aplicados em três momentos: marco zero e intervalos de cinco e de
oito meses. Os participantes responderam um questionário de satisfação ao final do
segundo intervalo, para avaliação do programa de orientações. Resultados: No PFC-C
os pais relataram um aumento da ocorrência dos meios gestual, vocal e verbal em todos
os grupos, para expressar as funções comunicativas interpessoais, exceto no grupo de
cuidadores que recebeu o programa de orientações em grupo e as crianças tratamento
fonoaudiológico individual. Nas funções comunicativas não interpessoais notou-se uma
diminuição na ocorrência do meio comunicativo gestual, um aumento no meio verbal,
sem diferença estatística entre os grupos. Quanto ao meio vocal, não houve diferença ao
longo do tempo. No QDC observou-se a diminuição das dificuldades comunicativas dos
cuidadores, sem diferença entre os grupos. O questionário de satisfação demonstrou
altas pontuações quanto à realização do programa para todos os grupos. Conclusões: o
Programa de Orientações sobre Comunicação para Cuidadores de crianças com TEA
apresentado parece contribuir para o entendimento do processo comunicativo em
diferentes situações, associados ou não ao tratamento fonoaudiológico, notando a
diminuição de dificuldades comunicativas e aprimorando a percepção sobre a
funcionalidade da comunicação.